Junho 25, 2008
Refletindo um pouco.
Sim, também me observo em surtos de desesperança. Momentos em que é difícil relaxar e esperar o próximo passo.
Sim, também me surpreendo em momentos de insatisfação. Querendo transgredir ao invés de fluir.
Sim, também passo por inquietudes inexplicáveis. Querendo violar ao invés de silenciar.
É assim, nessas observações sobre minha humanidade que traço meu destino.
Busco inspiração. Respiro profundamente. Páro todo o movimento físico, respiro e começo a observar o vai e vem de emoções, palavras, sentimentos. Relaxo e deixo tudo passar.
Observo, mas não me identifico com nada, não julgo nada. Fico bem na minha própria companhia. Respiro, relaxo e observo. Identifico as dificuldades, olho para cada uma delas com carinho. Afinal, são as minhas dificuldades. Relaxo mais um pouco. Tem um pedacinho de mim esperneando muito. Observo, acolho ao invés de negar. Relaxo mais um pouco…e assim por diante…até esvaziar. Nada a fazer, nada a pensar, nenhum lugar para onde ir. Torno-me assim uma testemunha de mim mesma.
Paz.
Lilian
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Tarô Zen |
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Junho 19, 2008
Pela “enésima” vez Paola me contava que havia tomado a decisão mais importante da sua vida. Entusiasmada, quase em êxtase. Repetia sem parar “agora vai!”, com as mãos nervosas se entrelaçando em nós quase indissolúveis.
Pela “enésima” vez, a decisão era diferente daquela tomada no dia anterior, e no outro, no outro, no outro. E essa história já se arrastava há mais de três meses. Três meses de insônias acumuladas e de energias se esvaindo.
Desta vez, no entanto, Paola se mostrava mais impaciente com minha aprovação. E assim tem sido a vida dessa menina de 50 e poucos anos. Dia após dias buscando nos outros uma palavra que a leve a algum caminho. Qualquer caminho.
As decisões tomadas não se sustentam por mais que 24 horas. Volta o vazio. Tento explicar que está procurando na fonte errada. Ela retruca que uma colega de trabalho havia, enfim, aberto seus olhos. Estava decidida. Faria o curso, prestaria uma prova e seria aprovada.
Na semana anterior havia sido um atendente de lanchonete que tinha feito esse papel. Também houveram vendedoras de lojas, frentistas de postos, floristas. Cada um a colocou diante de algo “decidido”. Já havia se decidido a mudar de cidade, a fazer uma plástica, a trabalhar só meio-período, a aprender artesanato. Decidiu cada uma dessas coisas por 24 horas, até trocar a decisão por outra e outra e outra… As noites insônes a perseguem por mais de dois anos.
Olho nos seus olhos e não encontro ninguém. Ninguém para sustentar qualquer que seja a decisão tomada. É assim, a vida entregue aos outros. Se alguma coisa sair errado, a culpa vai ser deles também.
Um passinho para dentro de si e Paola encontraria um universo de possbilidades. Um universo rico de si mesma. Uma força que transcende os hábitos e a forma automática como tem levado a sua vida. Só um passinho ao encontro da sua Verdade Interior. Um passinho.
Falta ânimo, falta coragem. Seguro sua mão gelada e peço que tente, ao menos tente. Paola desaba em um choro sentido, de quem sabe o tamanho do seu abandono. Promete tentar. Tomare que ao menos essa decisão ela consiga sustentar por mais de 24 horas.
Paz.
Lilian
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Junho 14, 2008
Maria veio me procurar. Queria ajuda, imediata, quase mágica. Estava esgotada, com olheiras que denunciavam uma sucessão de noites mal dormidas. Cabeça “quente”, corpo “gelado”. Seus olhos quase que gritavam “me tira daqui”. Não dá, Maria. Só você pode.
Tenho encontrado muitas Marias pela vida. Em total desespero. Sabem muito, vivem pouco. Cabeças entulhadas de teorias. Nas suas estantes, dezenas de livros de auto-ajuda, de milagres que nunca vieram. Algumas Marias, inclusive, já desistiram.
As Marias se ocupam o máximo que podem. O tempo todo. Mêdo do vazio. Não sabem que é lá no nada que é bom de ficar.
Até a respiração acontece no automático. Cabeça cheia, corpo vazio. Nenhuma consciência do que acontece do pescoço para baixo. Não sabem o que estão perdendo.
Paz.
Lilian
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Junho 10, 2008
A gente tem uma mania danada de achar que pode com a Vida. Que prepotência. A Vida não acontece seguindo um cronograna de trabalho. A vida acontece do jeito que ela quer.
Se a gente continuar querendo, querendo, querendo vai acabar com uma bela úlcera, de tanta raiva que vai ficar da Vida. Ou umas olheiras horríveis por ter passado noites em claro, pensando na Vida, claro.
Uma grande idéia é confiar e esperar. Depois, estar aberto para o que vier. Não estou dizendo para você deitar na sua cama e ficar lá até alguma coisa acontecer. Não é isso.
Estou dizendo que a Vida não acontece de um jeito ou de outro só porque você quer. Então, é melhor não querer. Aí você não se frustra. É isso, simples assim. Porque na maioria das vezes a gente fica querendo e insistindo em querer o que não tem a menor importância para a gente.
Olhe em sua volta. Quantas coisas você foi ensinado a querer. O querer nem é seu, não nasceu com você, mas você insiste. E vive se frustrando porque tenta porque tenta porque tenta…..porque tenta.
Se você já plantou as sementes que tinha que plantar, relaxe. Tem um tempo de espera. A natureza está seguindo seu ritmo. A Vida sabe o tempo certo de cada coisa desabrochar.
E fique em Paz.
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Junho 6, 2008
A gente olha para dentro e se compreende mais um pouco. Abre mão de alguns julgamentos e se liberta mais um pouco. Encara os espelhos da vida e muda aqui e alí. E o jogo da vida continua.
Comecei a minha jornada do auto-conhecimento há pouco mais de 20 anos. Vivi o que tinha que viver. Não fugi, não adiei. Vivi e aprendi. Aprendi com vitórias, com tombos, com erros, muitos erros. Aprendi com a tristeza, aprendi com o êxtase. Aprendi com o vazio, aprendi com a plenitude. Aprendi com o tudo, aprendi com o nada.
Não vivi uma vida morta. Vivi uma vida em constante movimento. E agradeci, sempre.
Agora me aventuro em dividir uma parte dessa jornada com quem se encorage a isso. O instrumento que uso para fazer a ponte entre a minha e a sua Alma é o Tarô Zen, inspirado em Osho.
Não, não sou vidente, não mudo destinos, não tenho fórmulas mágicas. Mas posso inspirá-lo(a) a olhar para seu Interior com a coragem de quem sabe que pode ir além. Mudar, transmutar. Nem sempre é fácil, mas é necessário.
Acredito que tudo que acontece na nossa vida é com nossa permissão, consciente ou não. É hora de permitir apenas o que nos torna mais íntegros e verdadeiros.
É bom, é muito bom. Um passo de cada vez. Um dia depois do outro. Um renascimento a cada instante.
Paz.
Lilian
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